A descoberta do Universo

O caminho para a escola é feito a saltitar pelas pedras da calçada. Mochila às costas, dançante ao ritmo do passo apressado. Importa chegar a horas. É o primeiro dia de aulas. Vais sozinha mas confiante, mergulhada na alegria antecipada do que te espera. Sonhaste com este momento durante muito tempo. O tempo é lento na passagem da infância.

Preparaste este dia. Contornando a esquina da Rua Esquerda, a papelaria tem um manancial para os gulosos dos materiais escolares. Como tu. Cadernos, canetas de todas as cores, lápis de todas as cores, dossiers, tesouras, colas, mochilas e bolsas. Ah! As mochilas e as bolsas! Que encantamento! Escolheste. Tens esse condão fácil, o da escolha. Sabes o que queres quando encontras. Em redor, muitos dos colegas vão levar o material do mano mais velho, ou do primo ou do ano passado. Por isso, tu sabes dar valor à oportunidade. Reconheces a sorte de te poderes estrear neste sonho com roupagem nova de festa. Sem culpas, porque grata, aprecias a mochila laranja com uma rapariga dançante, como tu, desenhada na aba. E um estojo de metal que faz um estalinho quando abre e outro estalinho quando fecha. Saltitas barulhenta. Este é o material da tua felicidade.

Escolhes a carteira da frente. Não queres perder pitada do que lá vem. Como se no cinema. A sala de aula cheira a madeira encerada. As longas janelas permitem a iluminação natural do Sol que, curioso, entra na aula pintando o espaço com a sua cor alaranjada. À esquerda, uma grande secretária castanha impõe-se no espaço. Em frente, um quadro preto aguarda que o giz o branqueie. Os meninos estão em grande algazarra. Escolhem parceiros de mesa. Tornam-se amigos no primeiro minuto. Já tens uma colega sentada ao teu lado. Sendo habitualmente calada, hoje até os teus cotovelos falam alto e ininterruptamente.

A Senhora Professora entra na sala no exacto momento em que termina o toque da sirene que marca os tempos das aulas. O silêncio faz-se ouvir ao reflexo da bata branca que ocupa o seu lugar na secretária. «Bom dia, meninos!» Mete respeito esta bata. Traz o rosto da sabedoria e da superioridade.  

Assim se iniciou a descoberta do teu Universo. No desenhar da tua primeira letra que te levará à tua primeira palavra, que te levará à tua primeira frase, que te levará à tua primeira leitura, que te transportará na mais incrível viagem da tua vida. Pela vida fora.

©Sara Alfenim

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Uma flor, de aparente fragilidade, desabrocha a partir de sementes profundamente enraízadas na terra. A flor exibe-se em beleza e oferecerá o seu lugar à continuidade do ser. E neste lugar de memória, a existência ir-se-á perpetuando de flor em flor até ao infinito. Daqui emanam, com os seus múltiplos e sucessivos perfumes, sen-

timentos, sentidos e palavras que abraçam

a eternidade.

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