Primeiro veio o som. O som da voz paterna enrolado no aconchego do cobertor. A história contada ao adormecer. A criar imagens, movimento, encantamento. A alegria infantil da descoberta de um novo mundo navegando pela palavra dita. Onde me leva? Onde? Mesmo sendo a mesma história, é sempre uma nova história. No mundo da criança, ou da minha criança amiúde escondida, a novidade segue o seu caminho. É um caminho diferente do do mundo dos adultos. Um caminho onde a repetição apetece. Sempre a novidade. Uma palavra que se descobre. Que sai do seu mistério e se desvenda. Uma entoação. Uma pausa. Uma interrupção em momentos diversos. E depois? Depois? Depois… Assim é. Não se descarta facilmente uma história. Noite após noite após noite, semana após semana, após mês. Aquela história. O mesmo encantamento. Em contínua descoberta. Com o som da tua voz. Pai. Ao adormecer. No carinho das palavras. Caminho.
©Sara Alfenim
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Uma flor, de aparente fragilidade, desabrocha a partir de sementes profundamente enraízadas na terra. A flor exibe-se em beleza e oferecerá o seu lugar à continuidade do ser. E neste lugar de memória, a existência ir-se-á perpetuando de flor em flor até ao infinito. Daqui emanam, com os seus múltiplos e sucessivos perfumes, sen-
timentos, sentidos e palavras que abraçam
a eternidade.
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Uma flor, de aparente fragilidade, desabrocha
a partir de sementes profundamente enraíza-
das na terra. A flor exibe-se em beleza e ofere-
cerá o seu lugar à continuidade do ser. E nes-
te lugar de memória, a existência ir-se-á per-
petuando de flor em flor até ao infinito. Daqui
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