Tertúlia Literária com escritores Reguenguenses

O convite

O telefone vibra e eu vibro.

Chego a casa após mais um dia de trabalho. O mundo farmacêutico exerce uma pressão alta e eu sinto o cansaço do fim do dia na rigidez do meu trapézio. «Que bem que me sabia uma massagem!», penso. Ficará para umas breves férias que se aproximam.

Vibro com o telefone antes de ler a mensagem. Dina Simão. Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz.

A curiosidade assiste-me de imediato. Que surpresa me espera?

Informal e muito simpaticamente – as duas formas de comunicação que mais me agradam – Dina Simão lança-me dois desafios. Participar na Feira do Livro e numa Tertúlia Literária com outros escritores Reguenguenses. São eventos integrados no primeiro Festival Literário da minha cidade de origem.

Fiquei surpreendida e feliz.

Não necessitei de uma tomada de decisão complexa e fundamentada. No meu mundo literário, a vida é doce e prazerosa, ainda que o caminho emocional seja, por vezes, duro. As ocasiões que surgem são oportunidades de partilha da minha escrita. Por isso, é instantânea a minha resposta.

- Participarei com todo o gosto. Estou grata pelo convite e orgulhosa pelo nascimento deste Festival na minha terra – respondo.

Tertúlia... e os silêncios?

Depois do instante respondido, caio em mim. Nunca participei numa tertúlia. O que será esperado de mim? A ironia da vida a lançar-me os seus desafios.

Sou uma pessoa de silêncios que acabou de aceitar um encontro de falas!

“Tertúlia”: nome feminino | 1. reunião familiar  |  2. reunião de pessoas com interesses comuns  |  3. reunião habitual de intelectuais para troca de ideias sobre diversos temas  |  4. popular embriaguez

In tertúlia – no Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptdicionarios/lingua-portuguesa/tertúlia

O evento ocorreu na “Adega das Flores”, em Reguengos de Monsaraz.

Mais informação em Adega das Flores – Adega das Flores

Sou reservada e os acontecimentos públicos inibem-me. Convoquei, por isso, a minha claque, que não faltou à chamada. Entre irmão e amigas, acabei por me integrar no todo. Provou-se um queijo e um vinho para descontrair. Encaro rostos conhecidos, alguns de uma vida inteira, que participaram com as suas histórias e livros.  

Homenagem e poesia

Dou a minha breve partilha sobre o que me inspira a escrever. O momento consiste essencialmente num exercício de escuta. Escutar e observar são actividades minhas preferidas. Saber o outro. Descontraio.

Eis que chega o momento para a leitura de um poema de eleição. A partir do meu mais recente livro de poesia “Do teu âmago canta o meu arco-íris”, aproveitei para homenagear minha mãe, pessoa conhecida da maioria dos presentes. Li dois poemas: “Sedenta” e “Memorial”.

"Sedenta"

Sedenta de amor e farta de medo

assim me apresento a ti

junta-se o perdão

caminham juntos

o amor e o perdão

por altos e baixos

curvas e contracurvas

na dor da vida

mas o que mais importa

agora

são as palavras por dizer

aceitar que não há um amanhã em espera

que não existe o tempo infinito

para onde atirar o coração

o que mais importa agora

é salvar

salvar a vida que fica

salvar a vida que se fina

o que realmente importa

é dizer

como gosto de ti!

In "Do teu âmago canta o meu arco-íris"

A repetir

Foi uma experiência enriquecedora de convívio fraterno. Um atravessar de rua conquistado pela criança pequena que sobrevive dentro de mim.

Embriaguemo-nos, amigos, embriaguemo-nos com palavras partilhadas. Agora, que lhe afinei mais o gosto.

Veja o filme e as fotos na galeria do site.

Sinopse do livro:

Num registo memorial, ligado à doença oncológica da mãe e ao amor filial, procura-se ultrapassar a finitude acontecida através de uma poesia intensamente visceral.

Assim se desenha este dizer:

"Partiste, mãe. No ímpeto de ocupar o largo vazio da tua ausência, moldei-te em poesia e poisei o barro iridescente na janela."

Disponível nas livrarias on line.

©Sara Alfenim

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Uma flor, de aparente fragilidade, desabrocha a partir de sementes profundamente enraízadas na terra. A flor exibe-se em beleza e oferecerá o seu lugar à continuidade do ser. E neste lugar de memória, a existência ir-se-á perpetuando de flor em flor até ao infinito. Daqui emanam, com os seus múltiplos e sucessivos perfumes, sen-

timentos, sentidos e palavras que abraçam

a eternidade.

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